Sábado, 31 de outubro de 2026
Dólar R$ 5,440 ▲ 1,02%Euro R$ 6,085 ▲ 1,05%Ibovespa 167.922 ▼ 0,75%
Crise no COMUS

Crise no Conselho de Saúde de Jundiaí: conselheiros questionam votações e ausência do presidente

Reunião realizada em 28 de outubro provoca críticas sobre quórum, participação de conselheiros recém-eleitos e falta de representantes da Secretaria Municipal de Saúde. Publicação de nomeações no dia seguinte amplia questionamentos sobre as votações.

Jaime Lima
· atualizado há 53 min · Jundiaí
Flávio Amorim - Secretário de Promoção da Saúde. Foto: Fotógrafo PMJ

A reunião do Conselho Municipal de Saúde de Jundiaí (COMUS), realizada na quarta-feira (28), provocou críticas e manifestações de indignação de integrantes do colegiado. A ausência do presidente, Flávio Luís de Amorim Nogueira, que também ocupa o cargo de secretário municipal de Promoção da Saúde, e os questionamentos sobre a participação de conselheiros recém-eleitos nas votações estiveram entre os principais motivos de insatisfação.

As manifestações foram divulgadas nas redes sociais pelo conselheiro Wilson Henrique Silva da Conceição e pela enfermeira e conselheira Thais Saito, que também levantaram preocupações sobre a transparência das decisões e o funcionamento do órgão responsável por acompanhar e fiscalizar as políticas públicas municipais de saúde.

Conselheiro questiona votação antes da publicação de nomeações

Em vídeo publicado na quinta-feira (29), Wilson Henrique questionou a convocação de representantes que haviam participado de uma recomposição do conselho realizada em 21 de outubro.

Segundo ele, alguns dos conselheiros escolhidos foram chamados para participar das votações do dia 28, embora suas nomeações ainda não tivessem sido publicadas na Imprensa Oficial.

Wilson, que também estava entre os recém-escolhidos, afirmou que decidiu não votar por entender que ainda não possuía a formalização necessária para participar das deliberações.

O conselheiro destacou que a Portaria nº 269/2026, assinada em 27 de outubro, somente foi publicada em 29 de outubro, um dia depois da reunião.

O documento estabelece sua entrada em vigor na data da publicação, sem previsão expressa de efeitos retroativos.

Diante dessa circunstância, Wilson questionou a participação dos representantes convocados e a possibilidade de contestação das decisões tomadas.

"Então, tudo que foi aprovado pode ser questionado."

O conselheiro também afirmou que suplentes foram chamados para participar das votações e contribuir para a formação do quórum necessário às deliberações.

Ausência do presidente provoca insatisfação

A ausência do secretário municipal de Saúde e presidente do COMUS, Flávio Luís de Amorim Nogueira, também foi alvo de críticas.

Segundo Wilson Henrique, a reunião foi presidida pela vice-presidente do conselho, sem a participação de representantes da Secretaria Municipal de Promoção da Saúde para esclarecer questões relacionadas aos assuntos discutidos.

O conselheiro questionou a falta de representação da pasta e defendeu que a administração municipal deveria estar presente para responder aos integrantes do colegiado.

A enfermeira Thais Saito também demonstrou insatisfação com a ausência do presidente e com a condução da reunião.

A vice-presidência do COMUS é ocupada por Thaiza Salviano Carneiro Pinheiro Souza, eleita para a função em maio de 2026, conforme resolução do próprio conselho.

Embora exista previsão de vice-presidência na estrutura do colegiado, as críticas dos conselheiros se concentraram na ausência do secretário e em questionamentos sobre a condução dos trabalhos.

Enfermeira critica falta de quórum e transparência

Durante transmissão ao vivo realizada na noite da própria reunião, Thais Saito afirmou que o COMUS enfrentou dificuldades para alcançar o quórum necessário às deliberações.

"Hoje não deu quórum."

A conselheira também relatou dificuldades para participar da reunião virtual, afirmando que foi desconectada repetidamente enquanto tentava acompanhar os trabalhos.

Além disso, Thais criticou a forma como informações sobre contratos e planos de trabalho são apresentadas aos integrantes do conselho.

Segundo a enfermeira, a documentação encaminhada aos conselheiros nem sempre contém detalhes suficientes sobre despesas com funcionários, insumos e outros custos envolvidos nos serviços de saúde.

Em um dos exemplos apresentados, mencionou um contrato de aproximadamente R$ 9 milhões, questionando a falta de informações que considera necessárias para avaliar a proposta.

"Como é que eu aprovo um contrato se eu não sei quantos funcionários a instituição tem, eu não sei quanto cada profissão está recebendo, eu não sei no que está sendo gasto?"

A enfermeira também manifestou preocupação com os recursos destinados ao Hospital São Vicente de Paulo e defendeu maior detalhamento das despesas apresentadas para aprovação.

Atendimento à população também é alvo de críticas

Em outro trecho da transmissão, Thais Saito abordou as dificuldades enfrentadas por pacientes que aguardam vagas hospitalares.

A enfermeira, que também atua na rede pública municipal, relatou situações em que pacientes permanecem por dois ou três dias em unidades de pronto atendimento enquanto aguardam transferência hospitalar.

Segundo ela, a demora na disponibilização de vagas preocupa os profissionais que acompanham esses atendimentos.

Thais também mencionou dificuldades para agendamento de consultas nas unidades básicas de saúde e defendeu mudanças na organização dos serviços.

As declarações refletem a experiência relatada pela profissional e suas preocupações com o atendimento prestado à população.

Conselheiros cobram funcionamento efetivo do COMUS

As manifestações de Wilson Henrique e Thais Saito chamam a atenção para o papel do Conselho Municipal de Saúde no acompanhamento das políticas públicas e na fiscalização da aplicação dos recursos destinados ao SUS.

O COMUS reúne representantes dos usuários, trabalhadores, prestadores de serviços e administração pública, constituindo um espaço de participação da sociedade nas decisões relacionadas à saúde municipal.

Para os conselheiros que se manifestaram, a participação no colegiado precisa ir além da presença nas reuniões, garantindo condições para análise de documentos, esclarecimento de dúvidas e acompanhamento das decisões.

Os questionamentos sobre o quórum e a participação de representantes recém-nomeados ainda dependem dos registros da reunião para que seja possível estabelecer como ocorreram as votações.

As declarações apresentadas nesta reportagem são de responsabilidade dos respectivos conselheiros e refletem seus posicionamentos sobre os acontecimentos no COMUS.

O Diário de Jundiaí mantém o espaço aberto para manifestações e esclarecimentos da presidência do Conselho Municipal de Saúde, da vice-presidência, da Secretaria Municipal de Promoção da Saúde e dos demais envolvidos.

Compartilhe
Envie sua notícia